quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Pai no céu (parte I)

Acreditava que não precisaria mais meter-me na lama pegajosa entre a arbitrariedade da crença e imaturidade científica, estando portanto incólume aos apelos crédulos de um lado e a diatribe incrédula de outros. Não, não, ainda não me consenti tão evoluido a ponto de não me deleitar um pouco com o sangue que me ferve ao portar um cérebro e um polegar opositor.
A dúvida e a tentação ao me envolver numa disputa improfícua, somados a uma filosofia amorosa , me tiraram do pântano e do remordimento interno ao não crer. E então a imparável atividade cerebral e a contemplaçao do absurdo somam-se, e me arrastam mais uma vez aos postos de luta.
Deus existe sim! Se pensamos que existe, logo existe. Apenas aí e em nenhuma nuvem mais.
Produto de nossas necessidades, de nosso desconforto, de ansiedades e medos ancestrais, e de uma falta crucial, esta idéia (das mais brilhantes, duradouras, cruentas e falaciosas que já tivemos) não nos larga a tempos e temo, contrariando o otimismo freudiano, não nos deixará por sua eficiência lacunar e consoladora. Infelizmente.
Das religioes ligadas aos cultos da natureza e polimórficas, das tribos da idade da pedra, com sua coleta incessante dos frutos e da incerteza da caça, essa criaçao veio a princípio buscar entender e pedir proteçao aos elementos mais imediatos do entorno natural, da relaçao intrínseca com a mãe-natureza (muitas vezes uma madrasta) indomada que nos matava tão facilmente, sempre associada a figura feminina (amparada em ídolos pujantes de fertilidade) as matriarcas por excelencia. O imponderável era simplesmente abrumador, nosso vizinho constante, sem controle e incerto, a única dádiva era a vida simplesmente, concretizada pela mulher.

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